segunda-feira, 24 de agosto de 2009

ser capixaba


acabo de ver no uol.com.br uma noticia sobre uma tragédia no meu estado de origem - Espírito Santo.
o link da noticia é este [http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2009/08/24/ult1766u32878.jhtm], e a matéria começa assim:

A Marinha do Brasil informou hoje que está buscando sete pescadores desaparecidos desde sábado depois que a embarcação na qual trabalhavam tombou a cerca de 36 quilômetros do litoral do estado do Espírito Santo (sudeste do país).

- pausa -

nao desmerecendo a importancia da noticia, nem desrespeitando os entes das pessoas que passam por esse momento.... tenho que refletir sobre um ponto:

estado do Espírito Santo (sudeste do país).

foi necessario, na cabeça deles mostrar aos leitores onde fica este estadozinho insignificante, desconhecido, fora dos holofotes, somente lembrado nas estatisticas de violencia ou tragedia. quem quer saber dos imigrantes, das cidades com otimos IHD, da cultura miscigenada, das festas e festivais...nada disso tem valor.... afinal, onde fica isso mesmo?

o que tem de gente que quando respondo que sou capixaba, me perguntam se issu è do nordeste..... e se o Ispirito santu è no norti..... por pura ignorancia educacional. nao preciso me informar sobre o amapa pra saber onde ele esta no mapa brasileiro, por favor...minimo de conhecimento è necessario.

certos comentarios sao engraçados, alguns ficam na memoria, como o deboche do casseta e planeta onde meus amigos pegaram carona na concentraçao do desfile de samba no rio e começaram a debochar:
" mas que chato seria se o Espirito santo nao existisse ne? um carioca ia ali, depois da fronteira comprar acaraje ou fazer o santo.... e o baiano? ia aprender a sambar, imagina Carla Peres na frente da bateria do Mestre Ziza, aff..." Como se servissemos so para isto, dividir o Rio da Bahia....

Consigo descernir o ignorante que nao fez o esforço de conhecer o seu pais de origem, mas tb de reconhecer o sabio que faz do seu conhecimento um momento mediocre de humor com a ignorancia existida.

mas ter que explicar geograficamente numa notica nacional onde fica um estado brasileiro...è demais nè....

a foto, è da capital da minha cidade....nostalgica VITORIA


sexta-feira, 24 de julho de 2009

Na Escocia

Estou em Aberdeen.
Aberdeen é a Capital petrolífera do Reino Unido por isso vive um momento próspero, é uma cidade bonita, organizada e tem suas pequenas atrações de forma interessante, mesmo que pouca.
O que mais me chamou atenção foi o numero de igrejas que viraram Pubs (bares típicos ingleses), restaurantes e ate cassino. Comum isso na Escócia, pois também vi em Edinburgh.
Outra coisa foi um cemitério, na principal avenida da cidade que e usado como praça, são muito as crianças brincando entre os túmulos e os mais velhos descansando a sombra de algum cruzeiro ou arvores por entre os túmulos. Achei bem original, já que a Escócia adora ser conhecida como mal assombrada e ganha dinheiro com turismo fantasma também.
Estivemos a Noite no Babylon, uma das mais movimentadas discotecas da cidade. Não e grande, tem uma imensa escada em caracol de uns três andares para chegar a pista de dança, terrível para os beberrões, que não são poucos. Têm de tudo lá, os seguranças são um pouco exigentes (mas juro que entrei), E o reino Unido por saber que o povo gosta de beber, não tentam ganhar a noite em entradas absurdas (como no Brasil). Os preços são sempre muito acessíveis (nunca paguei 10 libras para entrar em alguma disco. se não esta de graça, e 1, 2, 4, ou 5 libras). Pois os proprietários sabem que o povo gosta e de beber... e beber ate cair.
O numero de senhoras nessas discotecas e muito grande. e elas são muito divertidas. Por isso... Esteja preparado porque elas atacam.
Os taxis na Escócia são muito baratos. Eles partem a 1,50 e a bandeirada não te da desespero. Estamos sempre próximos ao centro e fazemos tudo de taxi, nunca pagando mais que 6 libras. Para se ter idéia, o ônibus custa 1,20, 1,50... três pessoas já pagam a corrida.
Restaurantes nós revezávamos entre comer em restaurante (quase sempre chinês e italiano, sempre acessíveis), fast food (A gi adora burger King, eu não. Mc Donalds e KFC são melhores) e cozinhar em casa (A Gi, eu confesso que sou péssimo na cozinha). Os preços dos restaurantes giram em torno de 15 a 20 por pessoa, os lanches entre 4 a 6 libras (o menu)
Cozinhamos em casa porque estamos em Suítes, apart-hoteis, que Gizele sempre preferiu. O nome é “ The Spires “, e já é a segunda vez que nos hospedamos ali. Pegamos apart de 2 quartos, um com suíte, sala ampla e cozinha muito bem equipada. Tem tudo que um hotel oferece e ainda a cozinha que oferece maquinas de lavar roupa e louca, todos os talheres e utensílios, e ainda produtos de limpeza e serviço. Pagamos 110 a diária, mas fazemos valer a pena.

Passear é muito simples, basta você chegar a Union Street, ir ate o fim dela, manter a esquerda, ver as coisas que tem na street, atravessar o parque, chegar a Union novamente ...e você viu tudo que deveria na cidade. Parece pouco, mas há bastante coisa para se ver e pela cidade tem sempre um aviso informando os monumentos em torno de onde você se encontra.

Pontos negativos:
As baladas, como em quase todo reino Unido, acabam as 3 da manha.
3 da manha já inicia a clarear nesta parte norte do globo terrestre. Por isso as aves quase te atacam...em seus vôos rasante.
O ônibus só aceita moedas...e no valor certo. Esperei 40 minutos e se não fosse a caridade do motorista, ia esperar mais quarenta, não vale a pena.... pegue um taxi
Apesar das pessoas serem cordiais, o inglês delas é difícil de entender.
As paradas de ônibus não têm um mapa da cidade, apenas algumas paradas mais importantes em cada rota, voce não consegue se localizar
A cidade não tem uma estrutura turística ainda.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

cinema nacional?

li sobre o assunto na revista "a capa" e me deparei ja com o trailler na internet (bendito youtube)

tive o prazer de ver Aluizio Abranches numa coletiva e o conhecer... 

e esperar para ver... 






terça-feira, 21 de abril de 2009

Ich bin Liebe.

Rapperswil-Jona - april 2009


I'm sad.... too sad.

estou a dois anos sem tempo para amor, para amar.... não tenho tempo pra mim, muito menos para dar a alguèm que faça algo por mim. Tenho corrido eu mesmo atras do que acredito ser melhor pra mim, e não tenho encontrado em ninguém algo que eu mesmo não possa fazer

Mas certos momentos, num descuido, ele chega... O amor é estranho, é supervalorizado, é incompreendido. semana passada eu ouvi de um amigo que ele nunca amou. Tive tempo para olhar pra traz e ver que o que amei faz com que eu tenha inveja dele. acho que não amar é ser livre. nos faz desprender de laços, de medos, de pátrias...

E nestes dois anos tive dois descuidos. e ele me tocou. Foram toques rápidos, sutis. mas é como alguem que toca em seu ombro e mostra um mundo alem da colina, e a pergunta é direta: Vai pular?

Acho que o certo é pular de cabeça para que ao cair você perca os sentidos e não pense mais nos porquês, nos prós e contras, nos perigos de se entregar a alguem. porque ao amar nada faz sentido, nada alem da pessoa que amamos...

Não sou muito de sair, pareço um louco que vive a vida intensamente, e ate tento, mas prefiro os dias, explorar a luz natural, e por isso quase não crio oportunidades de conhecer pessoas onde estas estão a procura de alguem. Eu sempre estou a procura de outros, de outras e ate de mim mesmo. Mas as vezes acontece de um amigo lhe oferecer uma noite, um bilhete, uma entrada, uma diversão, e você aceitar de forma cortês, mesmo que aquilo não seja o que você realmente queira. Foi assim, partimos juntos e ainda brinquei: só vou pra casar. Palavras não devem ser jogadas ao vento...podem cair nos ouvidos errados, e ate de forma errada.

Cheguei a noite como tenho chegado nos raras vezes que saio: de forma notória (Wesley na Itália que não aceita nem acreditar) e não tive tempo de chegar ao bar (mesmo que não beba álcool, vou direto a um quando chego, mania adquirida depois de amigos como Wesley, Marquinhos, William e Bill.... e já fui pedido para ser apresentado.
a historia já tinha seus personagens.... as cenas ja tinham sido escritas, bastava os principais fazerem seus papeis, e estavam ate convincentes... já se criavam espectativas e ate planos.

estive disponível. faltei a trabalho, criei situações, fui a caminho de alguem que acreditei. E fui correspondido. Mas o medo teve seu papel aceito e deram fala a uma figurante que sempre cerca de entrar nas cenas mais difíceis de serem feitas, e ele foi reconhecido - era a mentira.

Dai quem dirigia trabalhou com a insegurança, técnica importante da sala de cortes. e é ali que o filme pode perder sua importância histórica, ou ate mesmo um de seus grandes personagens. Por medo de me tornar antagonista de mim mesmo, preferi eu mesmo pedir a morte de meu personagem, não por amor, mas pela medo de amar.

Tudo porque o sexo, personagem tao fácil de se escalar, e que se encontra em qualquer historia mais tosca que seja, é mais valioso a um publico pobre de sentimentos que o incompreendido amor, personagem nobre, que prevalece nas historias épicas em preto e branco.... O amor de hoje é diferente e não mais compreendido, fácil de descartar do mais vil folhetim...

e isso exigiria demais de mim.... ate pensei em abrir mão de tudo. mas precisei de receber meu cachet no final, e fazer minha parte na historia, de forma curta, mas fácil de ser entendida ao grande publico sedento em devorar mais um autodenominado artista....da arte de amor sem amar....

E aqui me encontro. pieno d'amore.... mas incompreendido a quem amo.... por medo de amar.

quão dúbio é meu amor.... how dubious is my love ....

quão débil é meu amado.... how weak is my beloved ....

ich bin Liebe


Paris e seus personagens

Oscar Wilde

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Paris e seus personagens

Maria Callas

 "Se você ama a música a ponto de servi-la humildemente, o sucesso acontecerá automaticamente” – Maria Callas

Maria Callas  foi uma cantora lírica estado-unidense. considerada a maior celebridade da Ópera no século XX e a maior soprano de todos os tempos. Apesar de também famosa pela sua vida pessoal, o seu legado mais duradouro deve-se ao impulso a um novo estilo de atuação nas produções operísticas, à raridade e distintividade de seu tipo de voz e ao resgate de óperas há muito esquecidas do bel canto, estreladas por ela. Callas era filha de imigrantes gregos e, devido a dificuldades econômicas, teve que regressar à Grécia com sua mãe em 1937.  Virou cidadã  italiana em 1949 graças ao  matrimonio com industrial veronese Giovanni Battista Meneghini, e naturalizou  cidadã  grega em 1966.  Estudou canto no Conservatório de Atenas, com a soprano coloratura Elvira de Hidalgo.

O nome de batismo era Maria Anna Sophia Cecilia (em grego: Μαρία Άννα Σοφία Καικιλία). O sobrenome originario do pai, Καλογερόπουλος [pr. Kalogheròpulos], foi simplificado primeiro em Kalos quando chegou nos EUA, depois mudando para Callas, segundo um procedimento feito aos imigrantes com sobrenomes de difícil pronuncia. Durante adolescencia a Callas assinava como Mary Ann Callas e em casa era chamade Annamaria. A Callas torna ao seu sobrenome grego entre 1937 e  1945, por vontade da mãe, quando tornou ao país de origem da familia: Καλογεροπούλου, (pr. Kalogheropùlu). Já na Italia foi  utilizada a grafia Kallas e Maria Calas transformou-se seu nome de arte

 Existem diferentes versões sobre sua estréia. E  seu primeiro papel na Itália teve lugar em1947, na Arena de Verona, com a ópera La Gioconda, de Ponchielli, sob a direção de Tullio Serafin, que logo se tornaria seu “mentor”.

Callas começou a despontar no cenário lírico em 1948, com uma interpretação bastante notável para a protagonista da ópera Norma, deBellini, em Florença. Todavia, sua carreira só viria a projetar-se em escala mundial no ano seguinte, quando a cantora surpreendeu crítica e público ao alternar, na mesma semana, récitas de I Puritani, de Bellini, e Die Walküre, de Wagner. Ela preparara o papel de Elvira para a primeira ópera em apenas dois dias, a convite de Serafin, para substituir quem realmente faria aquele papel.

A partir dos anos 50, Callas começou a apresentar-se regularmente nas mais importantes casas de espetáculo dedicadas à ópera, tais como La Scala, Convent Garden e Metropolitan.. Maria Callas foi a mais controversa e possivelmente a mais dedicada intérprete lírica. Com uma voz de considerável alcance, Callas encantou nos teatros mundiais de maior destaque. Esta intérprete, senhora de raros dotes vocais e interpretativos, revolucionou o mundo da Ópera, trazendo-a novamente às origens. Para Maria Callas a expressão vocal era primordial, em detrimento dos exageros vocais injustificados - tudo na Ópera tem que fazer sentido por forma a dar ao público algo que o mova, algo credível. Ela foi a mais destacada e famosa cantora lírica, e fez jus à sua fama, pois interpretou várias dezenas de Óperas de diversíssimos estilos. Callas perpetuou-se em papéis como Medea, Norma, Tosca, Violetta, Lucia, Gioconda, Amina, entre outroas, continuando, nestes papéis, a não existir nenhuma artista que lhe faça sombra.

Callas possuía uma voz poderosa que, embora não se destacasse pela beleza do timbre, possuía amplitude fora do comum. Isto permitia à cantora abordar papéis desde o alcance do mezzo-soprano até o do soprano coloratura. Com domínio perfeito das técnicas do canto lírico, possuía um repertório incrivelmente versátil, que incluía obras do bel canto (Lucia de Lammermoor, Anna Bolena, Norma), de Verdi (Un ballo in maschera, Macbeth, (La Traviata) e do verismo italiano (Tosca), e até mesmo Wagner (Tristan und Isolde, Die Walküre). Poucos sopranos podem rivalizar com Callas no que diz respeito à capacidade de despertar reações intensas entre seus admiradores e detratores. Elevada à categoria de “mito” e conhecida mesmo fora do círculo de amantes de ópera, ela criou em torno de si uma legião de entusiastas capazes de defender a todo custo os méritos da cantora. Apesar destas características, Callas entrou para a história da ópera por suas inigualáveis habilidades cênicas. Levando à perfeição a habilidade de alterar a "cor" da voz com o objetivo de expressar emoções, e explorando cada oportunidade de representar no palco as minúcias psicológicas de suas personagens, Callas mostrou que era possível imprimir dramaticidade mesmo em papéis que exigiam grande virtuosismo vocal por parte do intérprete - o que usualmente significava, entre as grandes divas da época, privilegiar o canto em detrimento da cena.

Muitos consideram que seu estilo de interpretação imprimiu uma revolução sem precendentes na ópera. Segundo este ponto de vista, Callas seria tributária da importância que assumiram contemporaneamente os aspectos cênicos das montagens. Em particular, é claramente perceptível desde a segunda metade do século XX uma tendência entre os cantores em favor da valorização de sua formação dramatúrgica e de sua figura cênica - que se traduz, por exemplo, na constante preocupação em manter a forma física. Em última análise, esta tendência foi responsável pelo surgimento de toda uma geração de sopranos que, graças às suas habilidades de palco, poderiam ser considerados legítimos herdeiros de Callas

Uma voz cortante, poderosa, capaz de levar o ouvinte a abismos de paixão ou de dor lancinante. Maria Callas é a emoção superlativa. Uma diva única, quase força da natureza. Quem viu seus olhos expressivos, a visceral interpretação de suas violetas, rosinas, turandots, lucias  e normas jamais voltará a se conformar somente com uma bela voz de soprano. A indomável Callas, geniosa, intempestiva, era regida pelos sentimentos. Em sua pele, nenhum personagem de ópera era ficcional. O sangue fervia, a dramaticidade explodia, puro êxtase. Butterfly era um lamento nunca ouvido, Magdalena a voz da emoção, e Violeta morria de olhos abertos, encarando uma platéia atônita e chocada.

        Ela encantou Pasolini, Zeffirelli e Visconti, emudeceu poderosos e seduziu milhões. Era a Grande Callas, La Divina Callas, sobrenome que nem era seu e que criou fazendo um anagrama com o nome do maior templo da ópera: o teatro Scala, de Milão. Paradoxalmente, essa mulher que fazia de seu canto a expressão máxima de todos os sentimentos humanos, foi desprezada pelo único homem que amou. A crueldade do armador grego Aristóteles Onassis pode ser medida por uma frase proferida quando a voz de Maria já declinava, em que comparava sua poderosa voz a “um apito que você traz na garganta”. 

Era uma figura extremamente pública e contribuiu para reacender o estrelismo do gênero ópera e de seus intérpretes. Sua voz começou a apresentar sinais de declínio no final dessa década, e a cantora diminuiu consideravelmente suas participações em montagens de óperas completas, limitando sua carreira a recitais e noites de gala e terminando por abandonar os palcos em 1965. Seu abandono deveu-se em grande parte ao desequilíbrio emocional da cantora, que ao conhecer Aristóteles Onassis, dedica-se integralmente ao seu amado, afirmando ter começado ali sua vida de verdade. Foi quando ela parou de ensaiar, adiou e cancelou apresentações, se tornou figura constante em noites de festa, bebendo inclusive, coisas que contribuíram para o declínio de sua voz e o fim da carreira. Em 1964, encorajada pelo cineasta italiano Franco Zefirelli, volta aos palcos em sua maior criação, Tosca, no Convent Garden, tendo como seu parceiro o amigo de longa data Tito Gobbi. Sua última apresentação em uma ópera completa foi como Norma e Paris, 1965, e devido á sua saúde vocal debilitada não aguentou ir até o fim, desmaiando ao cair da cortina no fim da terceira parte.

Boa parte da atração que Maria Callas exerce sobre o grande público tem raízes fincadas exatamente em sua biografia, permeada por espetaculares feitos e por escândalos alimentados pela mídia. Veja-se o caso do milionário Onassis. No auge da fama, Maria sofreu tremendo assédio por parte do armador grego, que era casado com Tina. Presentes luxuosos e toda sorte de mimos foram usados por Onassis para convencê-la. Ela capitulou e mergulhou em uma relação atormentada, onde foi submetida a humilhações, como o desprezo de Christina, a filha de Onassis, ou o momento em que teve de depor em um tribunal americano sobre sua participação na separação do casal Onassis. Seu divórcio de Giovanni Battista Meneghini foi explorado à exaustão pelos jornais, suas explosões de fúria ficaram registradas pelos fotógrafos, sua intimidade foi devassada. O mundo acompanhou a grã sacerdotisa do canto quando ela descobriu amor e sexo aos 36 anos e então desejou deixar de ser deusa e assumir uma vida mais pacata e caseira: “Só desejo um marido, filhos e um cachorro”, declarou.

Aristo - a forma carinhosa com que Maria tratava Onassis na intimidade – coroou sua passagem pela vida de Callas trocando-a por Jacqueline Kennedy quando esta enviuvou do presidente americano. Repetiu com Jacqueline o assédio que havia feito a Maria. O trauma emocional de Callas foi proporcional ao impacto causado pelo novo casal Onassis

        Outra façanha de Maria refere-se à silhueta. Da soprano gordinha, em poucos meses ela se transformou em uma sílfide e abriu um debate acalorado sobre o impacto do emagrecimento sobre sua voz. Esse episódio é apontado como uma das maiores provas de sua quase legendária persistência, uma força de vontade assombrosa que a atraía como ímã para todos os desafios, tanto na carreira artística como na vida íntima.

No início dos anos 70, passou a dedicar-se ao ensino de música na Juilliard School. Em 1974, entretanto, retornou aos palcos para realizar uma série de concertos pela Europa, Estados Unidos e Extremo Oriente ao lado do tenor Giuseppe di Stefano. Sucesso de público, o programa foi todavia massacrado pela crítica especializada. A voz já não era a mesma, mas o que mantinha o público firme nas apresentações era o amor. Sua atuação foi prejudicada, pois uma vez que tinha que fazer muito mais esforço para manter a afinação, a entrega à interpretação não foi tão sutil como no passado. Cantou em público pela última vez a 11 de Novembro de 1974 no Japão.

Onassis, então casado com Mrs. Kennedy, tem sérios problemas de saúde e vem a falecer. Callas começa agora um período de claustro e, isolada do mundo, passa a viver na Avenue Georges Mandel, em Paris, com a companhia da governanta, Bruna, e do motorista, Ferruccio. Uma possível volta é ensaiada e entusiasmada pelo cineasta italiano Franco Zefirelli, mas Callas não tem mais a segurança do passado. Faltava vontade. Tenta realmente outras funções, como professora, diretora artística, mestre de coral, mas nada lhe satisfazia. Não sabia sequer como deslocar um coro. Começa a impor exigências absurdas para que aconteçam as apresentações. Essa é agora sua maneira de dizer não, exigindo o impossível. Uma gravação da Traviata, com o tenor em ascensão Luciano Pavarotti é estudada, mas o projeto logo é abandonado por Maria. Amigos ainda a visitam com frequência. Giulini (maestro), o crítico John Ardoin

Curiosamente, a Tosca ocupou especial lugar em sua vida. Maria - nascida em Manhattan, filha de gregos - estreou na Ópera Nacional de Atenas em 1942 exatamente com a Tosca. E foi com ela que encerrou sua carreira em 1965, em Londres.

Maria morreu sozinha, em seu apartamento de Paris, em 16 de setembro de 1977, pouco antes de completar 54 anos vítima de um infarto. Enquanto o enterro percorria a rua Georges Bizet, centenas de parisienses que choravam saudaram a passagem do esquife com a saudação que emocionava Maria na saída dos teatros: “Brava Callas!, Brava Maria!”. Na primavera de 1979, suas cinzas foram lançadas no Mar Egeu.

Meu primeiro cd, ainda lembro, foi no dia que conheci Rafael Apuleo, grande amigoque ate hoje nos falamos pela net...ele suporta cada besteira que falo...

E hoje divido o bom gosto de admirar Callas com os amigos Marcelo e Andrews... além é claro, da turma de canto como Leça e Fenix



agora so falta o Oscar wilde e suas frases destruidoras....

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Paris e seus personagens

Abelardo e Heloísa 

            A história de amor entre Abelardo e Heloísa foi uma história dramática.  Conhecidos como os amantes imortais, ambos viveram em Paris no século XII. O romance entre Heloísa e o filósofo Pedro Abelardo iniciou-se em Paris, no período entre o final da Idade Média e o início da Renascença. Abelardo tinha 37 anos e Heloísa tinha 17 anos.

Pierre Abélard (1079-1142) foi teólogo e filósofo francês, nascido em Le Pallet, perto de Nantes, considerado um dos maiores intelectuais do século XII com especial importância no campo da lógica, e precursor do racionalismo francês. De vida atormentada e irrequieta, depois de algumas tentativas de ter sua própria escola a partir dos 22 anos. Abelardo havia sido transferido recentemente e nomeado professor pela Escola Catedral de Notre Dame(1114-1118), primeira universidade livre da França, tornando-se, em pouco tempo, muito conhecido por admirar os filósofos não-cristãos, numa época de forte poder da Igreja Católica. Algumas de suas teses foram condenadas e no Concílio de Sens (1410), outras foram rejeitadas e foi acusado de heresia. Foi nessa época que começou sua ligação amorosa com sua aluna de nome Héloise (1100-1164), sobrinha do cônego Fulbert, de desastrosas conseqüências . Heloísa, que já ouvira falar sobre Abelardo e se interessava por suas teorias polêmicas, tentou aproximar-se dele através de seus professores, mas suas tentativas foram em vão.
Numa tarde Heloísa saiu para passear com sua criada
Sibyle, e seu chapéu foi levado pelo vento indo parar junto a um grupo de estudantes reunidos em torno de alguém que era o mestre Abelardo. Ele apanhou o chapéu, e quando Heloísa aproximou-se para pegá-lo, ele logo a reconheceu como Heloísa de Notre Dame, convidando-a para juntar-se ao grupo.

Desde esse encontro, porém, Heloísa não consegui mais esquecer Abelardo. Fingiu estar doente, dispensou seus antigos professores e passou a interessar-se pelas obras de Platão e Ovídio, pelo Cântico dos Cânticos, pela alquimia e pelo estudo dos filtros, essências e ervas. Ela sabia que Abelardo seria atraído por suas atividades e viria até elas. Quando ficou sabendo dos estudos de Heloísa, conforme previsto por ela Abelardo imediatamente a procurou.

Abelardo tornou-se amigo de Fulbert de Notre Dame, tio e tutor de Heloísa que logo o aceitou como o mais novo professor de sua sobrinha, vendo nesta oferta uma oportunidade para a sua sobrinha evoluir nos seus estudos. Assim, Abelardo tornou-se professor de Heloísa, hospedando-o em sua casa, em troca das aulas noturnas que ele lhe daria. Em pouco tempo essas aulas passaram a ser ansiosamente aguardadas e, sem demora, contando com a confiança de Fulbert, passaram a ficar a sós. Fulbert ia dormir, e a criada retirava-se discretamente para o quarto ao lado.

Em alguns meses, conheciam-se muito bem, e só tinham paz quando estavam juntos.

Os problemas começaram a surgir. Primeiro, esse amor começou a esbarrar nos conceitos da época, quando os intelectuais, como Heloísa e Abelardo, racionalizavam o amor, acreditando que os impulsos sensuais deveriam ser reprimidos pelo intelecto. Não havia lugar para o desejo, que era um componente muito forte no relacionamento dos dois, originando um intenso conflitos para ambos. Ao mesmo tempo Sibyle, a criada, adoecera, e uma outra serva que a substituíra encontrou uma carta de Abelardo dirigida a Heloísa, e a entregou a Fulbert, que imediatamente o expulsou. No entanto isso não foi suficiente para separá-lo. Heloísa com a ajuda da criada Sibyle,  conduziam Abelardo ao porão, local que passou a ser o ponto de encontro dos dois.

Uma noite, porém, alertado por outra criada, Fulbert acabou por descobri-los. Heloísa foi espancada, e a casa passou a ser cuidadosamente vigiada. Mesmo assim o amor de Abelardo e Heloísa não diminuiu, e eles passaram a se encontrar onde pudessem, em sacristias, confessionários e catedrais, os únicos lugares que Heloísa podia freqüentar sem acompanhantes a seu lado.

Heloísa acabou engravidando, e para evitar aquele escândalo, Abelardo levou-a à aldeia de Pallet, situada no interior da França. Ali, Abelardo deixou Heloísa aos cuidados de sua irmã  até dar à luz um menino, a que deram o nome de Astrolábio e voltou a Paris, mas não agüentou a solidão que sentia, longe de sua amada, e resolveu falar com Fulbert, para pedir seu perdão e a mão de Heloísa em casamento.

Surpreendentemente, Fulbert o perdoou e concordou com o casamento.

Ao receber as boas novas, Heloísa, deixando a criança com a irmã de Abelardo, voltou a Paris, sentindo, no entanto, um prenúncio de tragédia. Casaram-se no meio da noite, às pressas, numa pequena ala da Catedral de Notre Dame, sem nem trocar alianças ou um beijo diante do sacerdote. de modo a que ninguém desconfiasse.  Só estavam presentes os familiares de Heloísa e alguns amigos de Abelardo.

O sigilo do casamento não durou muito, e logo começaram a zombar de Heloísa e da educação que Fulbert dera a ela. Ofendido, Fulbert resolveu dar um fim àquilo tudo. Contratou dois carrascos e pagou-os para invadirem o quarto de Abelardo durante a noite e arrancar-lhe o membro viril.
 Na sua angústia e vergonha, Abelardo obrigou Heloísa a ingressar no mosteiro de Santa Maria de Argenteuil. Heloísa tinha vinte anos. Heloísa fez os votos monásticos e ingressou na vida religiosa, em profundo estado de depressão, só retornando à vida aos poucos, conforme as notícias de melhora de seu amado iam surgindo. Abelardo retirou-se para o mosteiro de Saint-Denis. 
Para tentar amenizar a dor que sentiam pela falta um do outro, ambos passaram a dedicar-se exclusivamente ao trabalho.
Durante muitos anos Abelardo e Heloísa não se viram, apenas trocavam cartas um com o outro. Nestas cartas Heloísa expressava toda a sua dor, pela triste sorte do seu amor, e toda a sua rebeldia, por ter ingressado na vida religiosa e ter vestido o hábito.  Ela confessa-lhe um amor inimaginável, supremo e irrestrito, acima do Deus a quem ela serve por obrigação do pedido de Abelardo, unicamente como prova de amor incondicional a seu amado terreno. Assim, Heloísa profere vitupérios ao destino (a deusa Fortuna, para a cultura latina), à sabedoria, à prudentia, à temperança, à castidade e a todos os valores que lhe parecem falsos por terem lhes conduzido à infeliz ruína amorosa - resumo de sua vida conjugal : "
Os prazeres amorosos que juntos experimentamos têm para mim tanta doçura que não consigo detestá-los, nem mesmo expulsá-los de minha memória. Para onde quer que eu me volte, eles se apresentam a em meus olhos e despertam meus desejos. Sua ilusão não poupa meu sono. Até durante as solenidades da missa, em que a prece deveria ser mais pura ainda, imagens obscenas assaltam minha pobre alma e a ocupam bem mais do que o ofício. Longe de gemer as faltas que cometi, penso suspirando naquelas que não pude cometer"

Heloísa e Abelardo nunca deixaram de se amar.  Anos mais tarde Abelardo construiu uma escola-mosteiro perto de Heloísa. Viam-se diariamente, mas não se falavam, apenas trocavam cartas. 

Após o infeliz castigo, mesmo como monge, ele não deixou de ser polêmico e colecionou atritos com outros religiosos como bispos e até mesmo com seus colegas monges, criando muitos inimigos. Morreu  em 1142, com 63 anos de idade na prelazia de Saint-Marcel, perto de Châlons-sur-Saône, onde viveu seus últimos dias de vida sob a proteção de Pedro o venerável de Cluny. Suas obras abrangiam três áreas: lógica, teologia e ética. Heloísa mandou construir uma sepultura em sua homenagem.
Em 1162 morre Heloísa e a seu pedido, foi sepultada ao lado de Abelardo.
Em 1817 os restos mortais dos dois amantes foram levados para o cemitério do Pére Lachaise e é um dos túmulos mais bonitos que se encontra ali.

 

        

Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo."
Carta de Abelardo a Heloísa.

"É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo."

Carta de Heloísa a Abelardo






xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

 

Para os quem não se lembra ou não viu, há uma adaptação de 1988 deste caso de amor para as telas, o filme Stealing Heaven (traduzido no Brasil como Em nome de Deus) eu nunca consegui baixar na net, nem comprar o DVD. Aqui vai um trailler.  O filme nao é uma obra de arte, mas é bonitinho....



Mas o melhor esta por vir:

Apos eu resumir o texto para a minha amiguinha Regia Rosa sem mencionar datas... ela me pergunta:

- E quando ele começou a fazer o cassino do chacrinha????

Eu ja assustado com a pergunta, mas por ter sido de supetao, sem raciocinar a ligacao de uma coisa com outra, tive que responder com uma pergunta, tal como faz os sabios ignorantes:

- Que chacrinha DOIDA???

entao ela me esclareceu e me mostrou seu conhecimento:

- Nao e a vida do abelardo barbosa??? O chacrinha????


EU MEREçO....OBRIGADO SENHOR POR ESTAS PESSOAS QUE ACRESCENTAM ALEGRIA EM MINHA VIDA. 

nao posso lembrar do episódio que caio na gargalhada incomedida.....