segunda-feira, 20 de abril de 2009

Paris e seus personagens

Maria Callas

 "Se você ama a música a ponto de servi-la humildemente, o sucesso acontecerá automaticamente” – Maria Callas

Maria Callas  foi uma cantora lírica estado-unidense. considerada a maior celebridade da Ópera no século XX e a maior soprano de todos os tempos. Apesar de também famosa pela sua vida pessoal, o seu legado mais duradouro deve-se ao impulso a um novo estilo de atuação nas produções operísticas, à raridade e distintividade de seu tipo de voz e ao resgate de óperas há muito esquecidas do bel canto, estreladas por ela. Callas era filha de imigrantes gregos e, devido a dificuldades econômicas, teve que regressar à Grécia com sua mãe em 1937.  Virou cidadã  italiana em 1949 graças ao  matrimonio com industrial veronese Giovanni Battista Meneghini, e naturalizou  cidadã  grega em 1966.  Estudou canto no Conservatório de Atenas, com a soprano coloratura Elvira de Hidalgo.

O nome de batismo era Maria Anna Sophia Cecilia (em grego: Μαρία Άννα Σοφία Καικιλία). O sobrenome originario do pai, Καλογερόπουλος [pr. Kalogheròpulos], foi simplificado primeiro em Kalos quando chegou nos EUA, depois mudando para Callas, segundo um procedimento feito aos imigrantes com sobrenomes de difícil pronuncia. Durante adolescencia a Callas assinava como Mary Ann Callas e em casa era chamade Annamaria. A Callas torna ao seu sobrenome grego entre 1937 e  1945, por vontade da mãe, quando tornou ao país de origem da familia: Καλογεροπούλου, (pr. Kalogheropùlu). Já na Italia foi  utilizada a grafia Kallas e Maria Calas transformou-se seu nome de arte

 Existem diferentes versões sobre sua estréia. E  seu primeiro papel na Itália teve lugar em1947, na Arena de Verona, com a ópera La Gioconda, de Ponchielli, sob a direção de Tullio Serafin, que logo se tornaria seu “mentor”.

Callas começou a despontar no cenário lírico em 1948, com uma interpretação bastante notável para a protagonista da ópera Norma, deBellini, em Florença. Todavia, sua carreira só viria a projetar-se em escala mundial no ano seguinte, quando a cantora surpreendeu crítica e público ao alternar, na mesma semana, récitas de I Puritani, de Bellini, e Die Walküre, de Wagner. Ela preparara o papel de Elvira para a primeira ópera em apenas dois dias, a convite de Serafin, para substituir quem realmente faria aquele papel.

A partir dos anos 50, Callas começou a apresentar-se regularmente nas mais importantes casas de espetáculo dedicadas à ópera, tais como La Scala, Convent Garden e Metropolitan.. Maria Callas foi a mais controversa e possivelmente a mais dedicada intérprete lírica. Com uma voz de considerável alcance, Callas encantou nos teatros mundiais de maior destaque. Esta intérprete, senhora de raros dotes vocais e interpretativos, revolucionou o mundo da Ópera, trazendo-a novamente às origens. Para Maria Callas a expressão vocal era primordial, em detrimento dos exageros vocais injustificados - tudo na Ópera tem que fazer sentido por forma a dar ao público algo que o mova, algo credível. Ela foi a mais destacada e famosa cantora lírica, e fez jus à sua fama, pois interpretou várias dezenas de Óperas de diversíssimos estilos. Callas perpetuou-se em papéis como Medea, Norma, Tosca, Violetta, Lucia, Gioconda, Amina, entre outroas, continuando, nestes papéis, a não existir nenhuma artista que lhe faça sombra.

Callas possuía uma voz poderosa que, embora não se destacasse pela beleza do timbre, possuía amplitude fora do comum. Isto permitia à cantora abordar papéis desde o alcance do mezzo-soprano até o do soprano coloratura. Com domínio perfeito das técnicas do canto lírico, possuía um repertório incrivelmente versátil, que incluía obras do bel canto (Lucia de Lammermoor, Anna Bolena, Norma), de Verdi (Un ballo in maschera, Macbeth, (La Traviata) e do verismo italiano (Tosca), e até mesmo Wagner (Tristan und Isolde, Die Walküre). Poucos sopranos podem rivalizar com Callas no que diz respeito à capacidade de despertar reações intensas entre seus admiradores e detratores. Elevada à categoria de “mito” e conhecida mesmo fora do círculo de amantes de ópera, ela criou em torno de si uma legião de entusiastas capazes de defender a todo custo os méritos da cantora. Apesar destas características, Callas entrou para a história da ópera por suas inigualáveis habilidades cênicas. Levando à perfeição a habilidade de alterar a "cor" da voz com o objetivo de expressar emoções, e explorando cada oportunidade de representar no palco as minúcias psicológicas de suas personagens, Callas mostrou que era possível imprimir dramaticidade mesmo em papéis que exigiam grande virtuosismo vocal por parte do intérprete - o que usualmente significava, entre as grandes divas da época, privilegiar o canto em detrimento da cena.

Muitos consideram que seu estilo de interpretação imprimiu uma revolução sem precendentes na ópera. Segundo este ponto de vista, Callas seria tributária da importância que assumiram contemporaneamente os aspectos cênicos das montagens. Em particular, é claramente perceptível desde a segunda metade do século XX uma tendência entre os cantores em favor da valorização de sua formação dramatúrgica e de sua figura cênica - que se traduz, por exemplo, na constante preocupação em manter a forma física. Em última análise, esta tendência foi responsável pelo surgimento de toda uma geração de sopranos que, graças às suas habilidades de palco, poderiam ser considerados legítimos herdeiros de Callas

Uma voz cortante, poderosa, capaz de levar o ouvinte a abismos de paixão ou de dor lancinante. Maria Callas é a emoção superlativa. Uma diva única, quase força da natureza. Quem viu seus olhos expressivos, a visceral interpretação de suas violetas, rosinas, turandots, lucias  e normas jamais voltará a se conformar somente com uma bela voz de soprano. A indomável Callas, geniosa, intempestiva, era regida pelos sentimentos. Em sua pele, nenhum personagem de ópera era ficcional. O sangue fervia, a dramaticidade explodia, puro êxtase. Butterfly era um lamento nunca ouvido, Magdalena a voz da emoção, e Violeta morria de olhos abertos, encarando uma platéia atônita e chocada.

        Ela encantou Pasolini, Zeffirelli e Visconti, emudeceu poderosos e seduziu milhões. Era a Grande Callas, La Divina Callas, sobrenome que nem era seu e que criou fazendo um anagrama com o nome do maior templo da ópera: o teatro Scala, de Milão. Paradoxalmente, essa mulher que fazia de seu canto a expressão máxima de todos os sentimentos humanos, foi desprezada pelo único homem que amou. A crueldade do armador grego Aristóteles Onassis pode ser medida por uma frase proferida quando a voz de Maria já declinava, em que comparava sua poderosa voz a “um apito que você traz na garganta”. 

Era uma figura extremamente pública e contribuiu para reacender o estrelismo do gênero ópera e de seus intérpretes. Sua voz começou a apresentar sinais de declínio no final dessa década, e a cantora diminuiu consideravelmente suas participações em montagens de óperas completas, limitando sua carreira a recitais e noites de gala e terminando por abandonar os palcos em 1965. Seu abandono deveu-se em grande parte ao desequilíbrio emocional da cantora, que ao conhecer Aristóteles Onassis, dedica-se integralmente ao seu amado, afirmando ter começado ali sua vida de verdade. Foi quando ela parou de ensaiar, adiou e cancelou apresentações, se tornou figura constante em noites de festa, bebendo inclusive, coisas que contribuíram para o declínio de sua voz e o fim da carreira. Em 1964, encorajada pelo cineasta italiano Franco Zefirelli, volta aos palcos em sua maior criação, Tosca, no Convent Garden, tendo como seu parceiro o amigo de longa data Tito Gobbi. Sua última apresentação em uma ópera completa foi como Norma e Paris, 1965, e devido á sua saúde vocal debilitada não aguentou ir até o fim, desmaiando ao cair da cortina no fim da terceira parte.

Boa parte da atração que Maria Callas exerce sobre o grande público tem raízes fincadas exatamente em sua biografia, permeada por espetaculares feitos e por escândalos alimentados pela mídia. Veja-se o caso do milionário Onassis. No auge da fama, Maria sofreu tremendo assédio por parte do armador grego, que era casado com Tina. Presentes luxuosos e toda sorte de mimos foram usados por Onassis para convencê-la. Ela capitulou e mergulhou em uma relação atormentada, onde foi submetida a humilhações, como o desprezo de Christina, a filha de Onassis, ou o momento em que teve de depor em um tribunal americano sobre sua participação na separação do casal Onassis. Seu divórcio de Giovanni Battista Meneghini foi explorado à exaustão pelos jornais, suas explosões de fúria ficaram registradas pelos fotógrafos, sua intimidade foi devassada. O mundo acompanhou a grã sacerdotisa do canto quando ela descobriu amor e sexo aos 36 anos e então desejou deixar de ser deusa e assumir uma vida mais pacata e caseira: “Só desejo um marido, filhos e um cachorro”, declarou.

Aristo - a forma carinhosa com que Maria tratava Onassis na intimidade – coroou sua passagem pela vida de Callas trocando-a por Jacqueline Kennedy quando esta enviuvou do presidente americano. Repetiu com Jacqueline o assédio que havia feito a Maria. O trauma emocional de Callas foi proporcional ao impacto causado pelo novo casal Onassis

        Outra façanha de Maria refere-se à silhueta. Da soprano gordinha, em poucos meses ela se transformou em uma sílfide e abriu um debate acalorado sobre o impacto do emagrecimento sobre sua voz. Esse episódio é apontado como uma das maiores provas de sua quase legendária persistência, uma força de vontade assombrosa que a atraía como ímã para todos os desafios, tanto na carreira artística como na vida íntima.

No início dos anos 70, passou a dedicar-se ao ensino de música na Juilliard School. Em 1974, entretanto, retornou aos palcos para realizar uma série de concertos pela Europa, Estados Unidos e Extremo Oriente ao lado do tenor Giuseppe di Stefano. Sucesso de público, o programa foi todavia massacrado pela crítica especializada. A voz já não era a mesma, mas o que mantinha o público firme nas apresentações era o amor. Sua atuação foi prejudicada, pois uma vez que tinha que fazer muito mais esforço para manter a afinação, a entrega à interpretação não foi tão sutil como no passado. Cantou em público pela última vez a 11 de Novembro de 1974 no Japão.

Onassis, então casado com Mrs. Kennedy, tem sérios problemas de saúde e vem a falecer. Callas começa agora um período de claustro e, isolada do mundo, passa a viver na Avenue Georges Mandel, em Paris, com a companhia da governanta, Bruna, e do motorista, Ferruccio. Uma possível volta é ensaiada e entusiasmada pelo cineasta italiano Franco Zefirelli, mas Callas não tem mais a segurança do passado. Faltava vontade. Tenta realmente outras funções, como professora, diretora artística, mestre de coral, mas nada lhe satisfazia. Não sabia sequer como deslocar um coro. Começa a impor exigências absurdas para que aconteçam as apresentações. Essa é agora sua maneira de dizer não, exigindo o impossível. Uma gravação da Traviata, com o tenor em ascensão Luciano Pavarotti é estudada, mas o projeto logo é abandonado por Maria. Amigos ainda a visitam com frequência. Giulini (maestro), o crítico John Ardoin

Curiosamente, a Tosca ocupou especial lugar em sua vida. Maria - nascida em Manhattan, filha de gregos - estreou na Ópera Nacional de Atenas em 1942 exatamente com a Tosca. E foi com ela que encerrou sua carreira em 1965, em Londres.

Maria morreu sozinha, em seu apartamento de Paris, em 16 de setembro de 1977, pouco antes de completar 54 anos vítima de um infarto. Enquanto o enterro percorria a rua Georges Bizet, centenas de parisienses que choravam saudaram a passagem do esquife com a saudação que emocionava Maria na saída dos teatros: “Brava Callas!, Brava Maria!”. Na primavera de 1979, suas cinzas foram lançadas no Mar Egeu.

Meu primeiro cd, ainda lembro, foi no dia que conheci Rafael Apuleo, grande amigoque ate hoje nos falamos pela net...ele suporta cada besteira que falo...

E hoje divido o bom gosto de admirar Callas com os amigos Marcelo e Andrews... além é claro, da turma de canto como Leça e Fenix



agora so falta o Oscar wilde e suas frases destruidoras....

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