sábado, 26 de março de 2011

A caminho da Índia


Parti de Seoul, uma cidade bem organizada, com transportes públicos eficientes, justo ao maior inferno do gênero... Índia

Vôo tranqüilo, assisti dois filmes: "O discurso do rei" e "alem da vida" do Clint Eastwood, estrelado pelo Matt Damon. Gostei dos dois, mas alem da vida foi o mais fraco filme do Clint que vi nestes últimos anos.

Chegando na Índia (Bombai), ficamos esperando na pista para podermos estacionar.... resumo do que vinha pela frente.

Imigração tranqüila, afinal eles sabem que estava chegando de primeira classe. Retiro minha mala, passo pelo raio x, depois pelo controle de mala, depois pelo controle doganale que fica com um papelzinho que não tinha escrito nem nome nem passaporte nem vôo, preencho e entrego, passo por um controle pra ver se a mala é minha mesmo, e saio...mas saio literalmente, porque esqueci que em aeroportos indianos não tem saguão onde as pessoas possam entrar. acompanhantes não entram no aeroporto, só quem vai voar. E eu ao esquecer, sai, e já não podia mais entrar. Fiquei doido, pois tinha que confirmar meu vôo pra Delhi, que foi comprado um dia antes e não deu para eu imprimir o bilhete, tinha que fazer cambio de dinheiro, tinha que dar um telefonema e nada disso la fora tinha, só um monte de indianos e de taxistas... chorei na porta pra voltar mas chamaram foi a administração que disse que eu não entraria porque simplesmente ali era o aeroporto de chegada e só de vôos internacionais, tinha que pegar um taxi para ir para o nacional.

Corri pro taxi pré-pago, perguntei se existia como trocar dinheiro, a mulher disse que era crime, fugi....

Respirei, esperei 10 minutos e fui nos taxistas, falei do meu problema, ao explicar tudo com meu ingles fraquinho, eles se olharam: ninguém falava inglês (eu pensava que todos falassem, afinal era uma colônia inglesa, oxi... não sou perfeito)

Mas ao verem as 50 libras (não me perguntem o que eu fazia com 50 libras, eu só queria a tal rupia pra sumir dali.

Eles toparam 1 libra por 50 rupias, então 50 libras deu 2500 rupias. Perguntei se daria pra pagar o taxi ate o aeroporto, me garantiram que sim, nem queria saber o quanto perdia, estava ajudando um Indiano (esta é o melhor consolo que encontro pra não ser taxado de besta), volto pra fila do taxi pré-pago, porque já disse e volto a dizer: se você não conhece o lugar, nunca pegue um taxi normal, taxi pré-pagos são empresas serias, que mesmo tendo alguma taxa que possa fazer ficar insignificantemente mais caro, você sabe que será aquilo, apenas aquilo que você vai pagar.

E me veio a lembrança de outra coisa típica Indiana: não sabem fazer fila, não respeitam, e ficam grudados em você... um com suvaco na sua frente, outro te sarrando todo tempo atrás

Quem me conhece sabe que não sou uma pessoa intolerante, preconceituoso, nem enjoada, gosto de povão. Mas sarrado por indiano agüentando a suvaqueira a frente....nao da.

Me encolhi no canto do balcão, esperei umas 4 pessoas alem de onde eu estava pra poder pagar o taxi. Preço: 135 rupias...

Deveria comemorar por pagar tao pouco, mas so pensava na minha libra, na cara da rainha se despedindo de mim por causa de 135 rupias... nem 3 euros... nem mais 7 reais.

Vumbora pro Delhi. Fui pegar meu taxi, escolheram um triste de se ver, mas o motorista parecia simpático. Ele colocou minha mala e abriu a porta...cavalheiro.

Entrei, estava escuro... mas senti o vento, que ao ele entrar pude ver: uns 700 mosquitos. Talvez seja por isso que custava tão barato: eles não gastam gasolina, os mosquitos vão voando com a gente dentro. Aquilo carregaria ate Kaká di Polly. PQP.

Abri minha janela, criei uma teoria que o vento mantém mosquitos longes. Péssima idéia, entrou os 300 que ainda cabiam, agora eram mil....fechei a janela, lembrei da febre amarela e a malaria...fui ver ate quando valia minha vacina, ufa: 2021. Tentei manter a lembrança de tokyo, terremoto, tsunami, vazamento atômico, falta de energia, comida contaminada... o que era aqueles mosquitinhos....

O homem corria, lembrei de Mirella e sua mania de só entrar em taxi com cinto de segurança... então pensei: Porra, vai a pe então querida, aqui você vai a pe.... porque aqui não tem

O carro para no meio das tantas obras entre os dois aeroportos, acho que estão fazendo viadutos para ferrovia e eis que um caminhão bate num andaime, ouve uns gritos e um bambu...sim, andaimes feito de bambu, vem em direção ao taxi... os gritos assustaram o taxista, que disse que as vezes cai coluna dos viadutos, esmagando tudo que esta em baixo.

Lembrei do filme do Clint, pensei que depois de tudo que passei, morrer em baixo de uma coluna de ferrovia de Mumbai seria muita ironia de um destino... e agradeci pelo bambu. Nem Silvio santos lembrara tanto do bambu quanto eu.

Cheguei no aeroporto nacional, dei gorjeta ao taxista (adoro, nem 5 reais) e fui entrar no aeroporto.

Opa, La em cima eu disse que não se entra ninguém em aeroporto, só quem vai embarcar, e isto se prova: com o bilhete de embarque. E eu nem sabia qual companhia ia voaria pra Delhi. Tentei chorar com o segurança e... aprendam: num país de tanta desgraça, chorar é como rir na cara deles. So tomam antipatia. Me mandaram sair da porta, e tentar resolver em outro lugar

Fui a uma agencia, na entrada do aeroporto, por sorte uma moça era bem simpática, dei meu passaporte e expliquei meu problema, ela se dispôs a olhar se tinha meu nome na companhia com qual trabalhava e não... não tinha, mas que na outra agencia ao lado da spice jet, eles tinham vôo aquela manha.

Parti pra spice jet, mesmo sendo tão spice girl ( a musiquinha
Spice World
entrou na minha cabeça e so sairia em Delhi) e la também tinha uma moça super simpáticas (elas são instruídas a servirem, lembrei) que me encontrou na lista de passageiros. OH GOD, THANKS. Olhos cheio de lagrima, queria dar 5 reais ali também, mas para alguns, parece ofensa (pra falar a verdade pra mim tb seria....5 reais)

Entrei no aeroporto, fiz check in, controle de bilhete, controle de bolsa de mao, controle de segurança, uma fila gigantes de homens, aquele inferno de: suvaqueira, na frente, sarro atrás, tiro computador, passo, levo revista, pego minhas coisas, vejo um louco que tentava embarcar com duas chaves de fenda enorme, uma chave inglesa que se ele quisesse matava toda a tripulação com uma cajadada so, e ainda uma furadeira, pelo que o povo ria dele falando, acho que a desculpa que ele tinha era que a furadeira nao funcionaria sem uma tomada... tinha ele razão...

Mais um controle de bilhete e mais um controle de bolsa de mao... eis me aqui... sentado esperando o vôo pra delhi. E que Deus continue me protegendo... os deuses também....Namaste: नमस्ते


ps: Leda ainda diz que mato ela de inveja quando viajo pra India... Masoquista...a única palavra que encontro para qualifica-la... e kd o Eduardo ein??? India tem tudo a ver com ele.


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